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Institucional

História

por Procuradoria

23/04/2009 10:00

A denominação “Piúma”

A origem do nome Piúma ainda é incerta, tendo pelo menos quatro hipóteses. A primeira atesta que trata-se de uma palavra de origem tupi-guarani, com influência francesa, significando “águas escuras”, que teria sido dado pela grande concentração de areias monazíticas em suas praias ou pela cor das águas dos rios da região. A segunda versão afirma que a palavra “piuma” teria sua origem em um mosquito dos manguezais de nome “pium”, mais conhecido como Borrachudo.

A terceira versão, apontada pelo IBGE, afirma que a origem estaria no vocábulo tupi “Pi`uma”, cujo significado seria “pele negra”. Por fim, a quarta hipótese está ligada a origem tupi da palavra “Py-uma”, sendo esse termo referente a “epiderme ou casca anegrada, escura.

 

Histórico

Piúma, 50 anos (cortesia:IHGP)

Procissão marítima (1956)

Piúma originalmente era ocupado por índios tupi-guarani, mais especificadamente por puris e botocudos. Aqueles viviam geralmente mais próximo ao litoral, enquanto que esses habitavam o interior.

A colonização dos índios puris e botocudos que viviam em Piúma, mais especificadamente no Vale do Orobó, foi marcada por um grande embate com os colonizadores. Em Piúma o processo de colonização inicialmente se deu ao mesmo tempo que a catequização dos índios. A fundação da primeira aldeia catequizada ocorreu em Anchieta, a qual teve como primeiro nome Reritiba (em tupi, “lugar de muitas ostras”). A data de fundação dessa aldeia é incerta: fala-se em 1565, 1567 e 1579, mas sempre no dia 15 de agosto. Embora o jesuíta Padre Afonso Braz tenha sido o fundador de Reribiba, quem promoveu o desenvolvimento da aldeia foi o Padre José de Anchieta, hoje santificado pelo Vaticano.

O Padre José de Anchieta, ao fundar Reritiba (Reritigba, na grafia original), cristianizou os índios das aldeias circunvizinhas que criou, sendo elas Guarapari, Piúma, Aghá, Itapemirim e Cabapoana (hoje Itabapuana). Os índios catequizados eram usados nos trabalhos rurais e de construção realizados em fazendas pertencentes aos jesuítas, tais como ocorreu na vila de Reritiba e na fazenda Orobó.

Em 1º de janeiro de 1759, Reritiba tornou-se vila, passando a ser chamada de Benevente (em tupi, “bons ventos”). Em 12 de agosto de 1887, tendo sido elevada à cidade com designação de Anchieta.

Em 1742 índios já catequizados pelos jesuítas, após se rebelarem, fundaram uma aldeia próxima as cabeceiras do rio Benevente, tornando-se ameaça constantes a aldeia de Reritiba. Tal grupo de índios possivelmente pertenciam originalmente ao vale do Orobó, pois os jesuítas chamavam o aglomerado desses índios de aldeia do Orobó.

Os negros também compuseram a formação dos piumenses. Cartas de alforria existentes na Casa da Cultura de Anchieta e diversas comunidades quilombolas na região, e as várias influências da cultura africana na região atestam a presença de escravos negros, além da atual presença de seus descendentes.

A ocupação inicial do território que hoje compreende a cidade de Piúma se deu em função de rota de navios que iam da capital do país à capital da província. Os naufrágios ocorridos aliados à curiosidade dos europeus promoveram os primeiros contatos com os índios que ocupavam a região.

Piúma surgiu, enquanto colônia, em torno de 1865. Tratava-se de uma tentativa de ingleses de criar uma colônia privada, o que não prosperou por muito tempo como esperado.

Mais tarde, na segunda metade do século XIX, o Porto de Piúma passou a ter importância devido ao desembarque de colonos que se dirigiriam para povoar a Colônia de Rio Novo, fundada em 1855 por iniciativa privada do Major Caetano da Silva que obteve permissão para explorar as terras devolutas daquela região.

O Porto de Piúma foi de extrema importância para a colonização do interior da região. Do Porto de Piúma os colonos vindos da Europa se dirigiam para as terras da “Colônia de Rio Novo”, mais especificadamente para “II Território”, “IV Território” e “V Território”, sendo os dois últimos iniciados a partir de 1875.

Piúma, 50 anos (cortesia:IHGP)

Avenida Espírito Santo (atual Avenida Maria Gonçalves Marvilla)

Como início de um processo de desmembramento da aldeia de Piúma do município de Benevente, foi instalada em 04 de março de 1883, em Piúma, uma paróquia. Nesse mesmo ano, Piúma foi elevada à categoria de Vila, denominada Nossa Senhora da Conceição de Piúma, em homenagem a sua padroeira. Na verdade a elevação à vila já havia ocorrido desde 04 de maio desse mesmo ano, porém ainda não tinha sido instituída canonicamente.

Piúma, devido a tentativa de se transformar em uma colônia inglesa e por receber visitas de famílias inglesas ficou conhecida na época como “Londres em miniatura”, sendo a segunda cidade do Espírito Santo a ter iluminação à gás.

Parecia que a colônia inglesa era promissora. O inglês Thomaz Dutton Junior, por exemplo, investiu muito esforço para seu desenvolvimento econômico, promovendo a vinda de outros imigrantes, sobretudo ingleses. Piúma se constituiu, durante décadas, em uma área portuária que ligava a produção interiorana da região ao comércio nacional e internacional. Assim como, anteriormente, uma entrada para o desbravamento de terras ainda não ocupadas. Foi justamente as matas que atraiu Thomaz Dutton Junior para Piúma, onde iniciou um próspero negócio de extração de madeira, instalando ali uma serraria.

Thomaz Dutton Junior chamou diversas famílias inglesas para colonizar Piúma, entre as quais a de Henrique Thompson, a de Jayme Wacks, a de Francisco Pacca, a de Thomaz Oenes, a de John Ombre, e mais os solteiros Henrique Johnson, Ernesto Oza, e Jorge Percival Burck.

Em 1871 Thomaz Dutton Junior comprou o trapiche da empresa Rodocanachi que existia em Piúma. Um ano depois, o império brasileiro concedeu a Thomaz Dutton Junior, por meio do Decreto nº 5.029, de 31 de Julho de 1872 permissão por dois anos para explorar ferro magnético e outros minerais, exceto diamantes, às margens do rio Piúma. Dutton explorou a madeira da região, assim como o café produzido no interior, em Iconha. Nesse mesmo ano, os postes para o telégrafo estavam todos postos, sendo inaugurado no ano seguinte.

Em Iconha, desde 1857, o senhor José Gonçalves da Costa Beiriz, já havia iniciado a agricultura. Tendo no final do século XIX contratado cerca de 30 famílias de imigrantes italianos para trabalhar em suas terras. Posteriormente atuou como comerciante, instalando próximo ao trapiche de Piúma um estabelecimento comercial. Beiriz, criou, em 1879, com Antonio José Duarte a firma Duarte & Beiriz, que incluía uma seção bancária, terras para colonização e transporte marítimo.

A criação do município de Piúma data de 02 de janeiro de 1891, tendo sido instalado em 19 de janeiro de 1891, com território desmembrado do município de Benevente. A primeira junta de intendentes foram Thomaz Dutton Junior, José Gonçalves da Costa Beiriz, Henrique da Silva Machado (Henrique no ano seguinte foi nomeado para o cargo de professor em Itapemirim, assumindo em seu lugar José de Miranda Fraga Filho. Nesse mesmo momento assumiu Aureliano José Vieira Nunes), Antônio Gomes Portela e Camilo Pires Martins.

[Em 27 de novembro de 1892 ocorreu a primeira eleição para governadores municipais, sendo eleito um grupo de cidadãos para administrar Piúma, sendo eles o Capitão Manoel Gomes do Nascimento Penaforte, Felipe Pinto Rangel, Camilo Pires Martins, Antônio Gomes Portela, João Senna e Manoel Nogueira neto, sendo esse o secretário.

No início do ano de 1904 houve nova eleição para a composição do grupo que iria administrar Piúma. Foram eleitos como governadores municipais o Coronel Antônio Duarte, Tenente Coronel Virgilio Francisco da Silva, Capital José Manoel da cunha Moraes, Tenente Bernardo Ferreira França e Capitão Luiz Alves Vianna.

Em 18 de novembro de 1904, com a prosperidade de Iconha e a decadência econômica de Piúma, a sede do município passou, por meio do decreto estadual nº 81, de 18.11.1904, a ser em Iconha.

O território denominado Município de Piúma, tal como conhecemos hoje foi criado por força de Lei, Nº 1.908, aprovada pela Assembleia Legislativa, no palácio Domingos Martins, no dia 24 de Dezembro de 1963, entrando em vigor em 01 de Janeiro de 1964. A lei de emancipação foi publicada no Diário Oficial em 30 de Dezembro do mesmo ano. Devido a festa da Padroeira da cidade ser no dia 08 de dezembro, a festa da emancipação foi, posteriormente, antecipada, passando a ser comemorada nesse dia.

No dia 01 de Janeiro de 1964 assumiu a administração do município de Piúma, na função de interventor, o senhor Petronilho Batista, que por motivos de saúde avançada não tomou posse, sendo então nomeado Eliseu Xavier Nunes que também não assumiu a função devido sua idade avançada. Dessa forma o primeiro interventor de Piúma acabou sendo Edgar Nunes de Oliveira que governou por um período de um ano e nove meses. Após Edgar Nunes de Oliveira, Piúma teve ainda mais dois interventores.

Piúma, 50 anos (cortesia:IHGP)

Carregadoras de água

A eleição direta para prefeito só ocorreria em 16 de novembro de 1966. Nesse pleito houveram 778 votantes, sendo 772 válidos. José de Vargas Scherrer venceu as eleições com 408 votos, tornando-se oficialmente, em 01 de Janeiro de 1966, o primeiro prefeito de Piúma.

A urbanização de Piúma se deu de forma muito lenta, limitando-se por até o início da segunda metade do século XX a uma pequena área próxima ao trapiche. O primeiro bairro de Piúma foi Niterói, embora já havendo residentes ali desde o início do século XX. Em 1966 havia em Piúma 96 habitações, sendo 24 cobertas por telhas e 72 por palha. A partir de 1967 começa a chegar a Piúma os primeiros veranistas encantados com suas características rústicas (SEBRAE, 1996 apud SABINO, 2012, p. 100).

A cidade de Piúma chega em 1970 com apena 3.583 habitantes. Foi a partir dessa data que a colônia de pescadores começou a vivenciar um crescimento populacional significativo. Dez anos depois já contava com 5.345 habitantes, saltando em 1991 para 9.430 e em 2000 para 14.987 habitantes. No último censo, em 2010, Piúma registrou 18.123 residentes. Cabe destacar que a partir da década de 1980 muitas casas de veraneio começaram a ser construídas em Piúma, o que incrementou o crescimento urbano da cidade.

As casas de veraneio, conhecidas como de ocupação ocasional, representavam, em 2000, 44,06% das residências do município. Em 2010 esse percentual reduziu para 38,6%, ainda assim sendo a maior expressividade capixaba em proporção de casas de veraneios.

A “venda” da imagem de Piúma parece ter tido início ainda em 1902. Nessa data a empresa Duarte & Beiriz passou a produzir dois tipos de calendários que divulgavam as belezas de Piúma: o calendário de mesa e a “folhinha de parede”.

Se até a primeira metade do século XX o trapiche tenha sido o centro das atenções de fotógrafos, com sua decadência e a maior valorização das belezas naturais associadas ao turismo, o Monte Aghá passou a ser o centro das atenções de turistas e fotógrafos que passam por Piúma.

Com relação ao processo de povoação, atualmente o município de Piúma está consolidada por diversos bairros. São eles: Monte Aghá I, Monte Aghá II, Itaputanga, Piuminas, União, Jardim Maily, Acaiaca, Centro, Niterói, Céu Azul, Lago Azul, Nova Esperança, Santa Rita, Bairro de Loudes e Portinho, além da zona rural. Claro que existem outras subdivisões socialmente construídas, tais como o caso do bairro centro, onde destaca-se o Porto, Limão e Tamarindo. Além dos bairros o município possui, em zona rural, os distritos São João de Ibitiba e Itinga.

 

* Informações extraídas do livro História e Estórias de Piúma, lançado pelo Instituto Histórico e Geográfico de Piúma (IHGP) em 2014, com autorização do mesmo; as fotografias também são do acervo do Instituto. Mais informações sobre o IHGP, acesse http://ihgpiuma.wix.com/inicial



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